2 de março de 2012

Relato de Viagem - Cidade de Parati/RJ

Boa noite pessoal.

Gostaria de compartilhar com vocês um relato da viagem que fiz à cidade histórica de Parati/RJ.

Vocês devem lembrar que pedi umas dicas sobre o trecho aqui e acabei fazendo pelo mais simples e comum: Reunidas Paulista na linha São Paulo x Angra dos Reis. Comprei as passagens pela internet no site Netviagem (redirecionado do site da Reunidas). A compra foi simples e deu até para parcelar e 3x sem juros. Saímos eu e minha esposa da Rodoviária do Tiête as 08h00 da manhã de segunda. Graças a fatídica alteração na linha 10 da CPTM, demoramos 25min para ir do Brás à Luz, o que nos fez chegar em cima da hora (07h55) e protagonizar uma bela cena de correria pelas escadas do Tiête! rsrsrs

No trecho de ida, viajamos em um Irizar PB - MBB O-500RS, prefixo 165202:



Minhas impressões sobre o carro: o chassí MBB tem um excelente desempenho, com motor forte e bom desempenho. Também é bem estável e a suspensão absorve muito bem os trancos e imperfeições da pista. O ronco do Retarder nas descidas é show de bola! Já a carroceria me decepcionou um pouco, pelo menos no que diz respeito à poltrona. Eu sou magro mas tenho 1,80m. A poltrona me pareceu estreita (eu fiquei espremido quando reclinei e minha esposa não).

O carro tem 38 poltronas mas me parece menor, o que deu a sensação de poltronas mais próximas e mais baixas. Me sentia escorregando para frente toda vez que o ônibus freava e minha perna não encaixava bem nos descansa-pernas. Resumindo:não me encaixei bem naquela poltrona. Além disso, a tampa do AC estava solta e batia o tempo todo (eu estava quase indo lá tentar apertar). A carroceria é muito bonita e com linhas modernas. O interior tem um excelente acabamento e o layout bem harmonioso, com leds integrados que dão um certo charme.

O caminho: ainda bem que a linha não é tão pinga-pinga como algumas que eu tive o desprazer de andar (como a Mogi x Guarujá ainda na Expresso Brasileiro). Assim que saímos de São Paulo, pegamos a Dutra sentido São José dos Campos, onde há uma breve parada apenas para embarque. O carro saiu praticamente lotado, com algumas poucas poltronas livres que foram ocupadas no sub-trecho. Dormi boa parte do caminho até lá, mas ainda consegui ver a Rodo de SJC, que me pareceu bem organizada. Tinham muitos carros da Marron e Litorânea lá, e claro da Viação Jacareí. Rodoviários tinham poucos, e consegui registrar este G7 da Sampaio de relance.


Depois da passagem por São José dos Campos, nosso Reunidas seguiu pela Estrada dos Tamoios (SP-099) rumo à Caraguatatuba, onde encontraria a Rio-Santos (BR-101). No caminho voltei a dormir (ah eu fui dormir ás 02h00 e acordei ás 05h30 para chegar a tempo na Estação da Luz, estava com muito sono) por isso vi pouca coisa. Quando acordei já estávamos perto de Paraibuna, onde fizemos nossa primeira parada para o café.


Um restaurante bem simples, mas que nos permitiu tomar um café completo sem gastar muito. Neste momento que reparei a grande quantidade de gringos que havia no ônibus. Chuto aí um meio a meio de gringos e brasileiros. Na nossa frente mesmo havia um casal de rapazes ingleses que pareciam conhecer bem o caminho, tirando um monte de fotos com uma máquina profissional super hiper motherfucker! E nós acompanhamos com nossa Canonzinha S120 (e meu celular S1):


Após o café seguimos nossa viagem na bela porém sinuosa Tamoios. Não tinha trânsito mas diversas vezes o ônibus chegou a parar em pontos onde há trabalhos de manutenção da via. Não demorou muito para começar a aparecer as paisagens do litoral norte paulista vista lá do alto.


Chegamos então à Rio-Santos sem muitas novidades. A paisagem predominante é de muito verde e algumas cidades e vilarejos vão surgindo em seu trajeto. Caraguatatuba tem belas praias e o mesmo pode-se dizer de Ubatuba, cidade vizinha e ultima paulista do caminho. Depois de passar pelo "centro" de Ubatuba adentra-se em um trecho de serra bem sinuoso, repleto de subidas e descidas onde a mata chega a ficar densa.


A previsão de chegada em Parati era as 14h00. As 13h40 já estávamos desembarcando na rodoviária da cidade, que diga-se de passagem é pequena e meio bagunçada. Muita gente em volta! Com pouca sinalização, demoramos alguns minutos para nos achar. Mas logo apareceu um motoboy perguntando se procurávamos pousada. Como já tínhamos reservas, ele gentilmente apenas nos indicou o caminho da nossa pousada, o que já nos ajudou muito. Já dava pra sentir o calorzão fluminense e com minha mochila nas costas e a bolsa da minha querida esposa na mão, nem demorou para começar a derreter. Com a dica do motoca chegamos rapidinho a pousada, não sem antes fazer os primeiros clicks de ônibus da cidade, os quais eu já estava de olho.


Quem opera na cidade é a empresa Colitur, que além das poucas linhas municipais opera diversas linhas intermunicipais para diversos lugares da região como Trindade, Divisa com Ubatuba e Angra. Na frota predomina a dobradinha Comil/MBB, com os modelos Svelto Midi, Svelto e Versátile, com alguns poucos Mascarello Gran Via e Neobus Spectrum City, todos sobre OF-1418 ou OF-1722.


Além dos Svelto Midi acima, haviam também estes Sveltos que parecem ser bem novinhos. A pintura que tem um novo layout (muito bonito por sinal) estava um brinco, o que leva a crer que os carros são recém chegados pois os carros mais antigos da empresa rodam bem mais estão bem desgastados e surrados. Tinha um Gran Via com uma chapa de aço no lugar da última janela. A garagem da Colitur era bem perto da pousada e me pareceu uma empresa até que organizada.


Além da Colitur, é possível ver carros da EVAL a serviço de empreiteiras e construturas que atuam na região. Além da Reunidas que faz a ligação com São Paulo, há a Costa Verde que faz a ligação com Niterói e Rio de Janeiro. A São José faz a linha para Caraguatatuba, mas essa não merece nem comentários! Trash!



A descrição de nossos passeios por si só daria um relato, mas como o foco aqui são os ônibus, vou deixar apenas alguns registros que fiz e que ilustram bem esta belíssima cidade, que dispensa maiores comentários pois tem lindos pontos turísticos e natureza preservada, além de artes, história e cultura riquíssimas! Vale a pena conhece-la com bastante tempo para curtir de tudo um pouco. Recomendo fazer o passeio de barco pela Baía de Ilha Grande. É sensacional!




Enfim, depois de dois dias na cidade tivemos que retornar, com aquele gostinho de quero mais, desejando muito poder ficar pelo menos mais um dia. Mas como tudo estava programado, ficou para uma próxima oportunidade. Compramos as passagens para o carro que sai as 13h40 sentido São Paulo, que para minha surpresa quando apareceu veio com o letreiro de origem como Itaguaí/RJ (Achei que a linha era só até Angra). Era um Paradiso G6 1200 - O-500RS, prefixo 164811.


Minhas impressões sobre o carro: pelo menos neste eu me encaixei bem na poltrona. Tinha um bom espaço e a largura parecia mais adequada. A altura também me pareceu mais adequada e minhas pernas se encaixaram bem sobre o descanso, ficando bem apoiadas. Apesar de ser um carro um pouco mais antigo, é um G6 né! Carroceria bem ajustada e sem nada batendo, Ar Condicionado bem ajustado, interior agradável, e por ser umas das ultimas "versões", o carro estava impecável.


Só achei o desempenho do carro um pouco aquém, mas me pareceu ser mais o motorista do que o carro em si e não o modelo do chassís. Ele esticava muito as marchas nas subidas (o carro pedia marcha mas ele retardava muito a troca) e dava aquela sensação de que o carro estava "cansado". Além disso nos obstáculos o carro dava uns trancos quando freava.

Bom, seguimos então rumo a São Paulo exatamente pelo mesmo caminho feito na ida, passando por São José dos Campos para desembarque. Na Rio-Santos e Tamoios, tudo tranquilo. Tempo bom, pouco movimento. Fizemos duas paradas no caminho, em Ubatuba e Paraibuna novamente. Na volta havia ainda mais estrangeiros que na ida. Mais da metade dos passageiros eram "gringos" e havia um grupo grande de americanos que lotaram o ônibus. Aliás, em Parati vimos muitos estrangeiros: Americanos, Ingleses, Franceses, Espanhóis, Argentinos... A cidade é muito frequentada por turistas de aventura e mochileiros. É característico da cidade e isso movimenta bastante a economia.

Inclusive fotografei uma coisa bem curiosa, um trailer Iveco Francês, com placa da União Européia. Fiquei curioso de como o dono deste carro procedeu para entrar no país. Na lateral estava escrito "Tour du Monde":


E finalmente, precisamente as 19h20 (20min antes do previsto), desembarcamos na plataforma 86 da Rodoviária do Tiête:


Espero que gostem do relato. Desculpem se me alonguei um pouco, mas é que faz tempo que eu não fazia mais estes relatos de viagem e estava matando as saudades do Blog Busways. Talvez eu publique lá também para registro. Fiquem a vontade para comentar!

Abraços,

--
Diego Vieira - 2011
Grande ABC/SP

10 de março de 2010

Um Bairro, Uma Linha, Um Só Ônibus!

Começa o dia na cidade de Santo André/SP. Pontualmente ás 06:40 da manhã, ele parte da garagem rumo a sua missão diária, executada fielmente a quase 22 anos: ligar a cidade do ABC Paulista a diversos bairros paulistanos, dentre eles seu destino final atualmente, o Jardim São Roberto localizado ao sul do distrito de Sapopemba, Zona Leste da cidade de São Paulo.

Sua jornada diária começa no Terminal Metropolitano Santo André Leste, integrante do Corredor Metropolitano São Mateus - Jabaquara, importante sistema de transportes da Grande São Paulo, resposável pelo deslocamento de milhares de pessoas diáriamente, entre as zonas leste e sul da capital paulista, passando por diversas cidades do Grande ABC.



Lá nosso personagem cruza com vários dos modernos ônibus que operam neste corredor pela empresa Metra, como os Urbanuss Pluss Tróleibus Low Floor ou o Millennium Scania de 15 metros. E no meio de tantos veículos modernos, ele se destaca não pelo aparato tecnológico, tão pouco por sua capacidade de transporte, mas sim por seu charme tão nostálgico e também por sua importância histórica! Estamos falando do veículo mais antigo em operação nas linhas metropolitanas gerenciadas pelas EMTU - Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo: o carro de prefixo 70 da frota da TCPN - Transportes Coletivos Parque das Nações, um Marcopolo Torino G4 - Mercedes Benz OF 1115 de 1988 que a empresa tem orgulho de manter em dia e coloca-lo em operação algumas vezes somente para desfilar, trazendo aos mais nostálgicos a saudade.



E não é exagero nenhum afirmar que ele é um verdadeiro ícone do transporte da região, dada a importância de sua atuação no desenvolvimento dos bairros que desbrava em suas jornadas diárias, levando e trazendo trabalhadores, estudantes e moradores locais. Prova disso é que mesmo com a idade do veículo e a elevada queda na demanda da linha em que atua - a saudosa 452 Santo André (Terminal Leste) / São Paulo (Jardim São Roberto) - o veículo é mantido com muito zelo e carinho pela empresa, admirado por entusiastas do transporte público e adotado fielmente por usuários que ainda vêem nos seus serviços, uma alternativa mais tranquila às saturadas linhas da região.




E para homenagear esse pequeno grande guerreiro das ruas, o Busways foi sentir de perto toda a nostalgia e história que esse simpático ônibus carrega consigo, através de uma viagem em um dos horários da linha, cruzando as ruas apertadas de bairros antigos de Santo André e nas algumas vezes confusas ruas que compõem o bairro paulistano.



Pontualmente as 06:50 hs ele parte rumo ao Jardim São Roberto. Como é comum este horário nas partidas sentido bairro, o carro parte sem nenhum passageiro, apenas com seu motorista. Assim ele segue livremente pelas ruas do Bairro Bangú...



E percebam que o motor Mercedes-Benz deste carro está em plena forma! Um jovem senhor que não deixa nada a desejar comparado aos carros mais novos, graças a excelente manutenção e o cuidado especial dados pela manutenção da TCPN. No vídeo abaixo, feito no começo da viagem, esse OF 1115 mostra que ainda tem muito folêgo para o trabalho...





Dando continuidade a nossa viagem, depois da rápida passagem por Santo André em avenidas importantes como a Japão e a Estados Unidos e ainda vazio, eis que nosso bravo Torino se aproxima da divisa entre Santo André e São Paulo. Pela Av. Miguel Gustavo ele cruza o Ribeirão do Oratório, curso d'água que delimita as duas cidades.
A partir de agora já se encontra dentro do Distrito de Sapopemba, mais precisamente no Jardim Adutora, bem próximo ao seu destino.



Já fazia alguns anos que eu não circulava nesta região, e me surpreendi com as mudanças que presenciei. Algumas das antigas ruas de terra que viravam verdadeiros lamaçais em épocas de chuva, hoje dão lugar a ruas asfaltadas. Os loteamentos com casas semi-construídas, agora são bairros com sobrados de dois, três andares amontoados uns aos outros.



Em alguns lugares as ruas se tornam tão estreitas que praticamente só se passa um carro por vez. O loteamento outrora inóspito, hoje se tornara um bairro urbanizado, claro que sem deixar de lado os problemas da ocupação desorganizada que predomina na região.




Algumas ruas depois e cerca de 25 minutos após nossa partida, já estamos no ponto final da linha, na Rua Rosa-de-Maio, Jardim São Roberto. A viagem foi rápida, e assim como no começo apenas o motorista e este que vos escreve se encontravam no veículo.

Uma nublada manhã já despontava no horizonte, e um único passageiro aguardava o carro no ponto final.



Enquanto esperávamos o horário da partida, nosso Torino fez pose para uma rápida sessão de fotos...



Seguimos então para a segunda parte da viagem. Conversando com encarregado de tráfego da TCPN na garagem da empresa, soube que a linha chegou a carregar 1300 passageiros por dia. Hoje, quando muito carrega 20 nas duas viagens que faz pela manhã.



A linha que na década de 80 bravamente enfrentava as ruas do bairro, que até então tinham pouca ou quase nenhuma infra-estrutura e sofriam com altos índices de violência, era uma importante ligação do distrito com a Estação Santo André da Estrada de Ferro Santos - Jundiaí (hoje linha 10 da CPTM) pois era um acesso mais fácil ao centro de São Paulo na época, além de utilizada por muitos trabalhadores das indústrias que povoavam a cidade e os bairros do Ipiranga e da Móoca, também atendidos pela estrada de ferro.




CEU Rosa da China, retrata bem as mudanças da região ao longo dos anos.

O desenvolvimento do bairro facilitou o acesso dos moradores ao corredor de tróleibus da EMTU, que absorveu boa parte da demanda da linha. A decadência indústrial de Santo André e a facilidade de acesso a São Paulo por opções dentro do próprio bairro, entre outros fatores, também acabaram com a demanda de acesso a estação ferroviária.



Ao ver aquele único passageiro no carro imaginei que retrataria a realidade melancólica de uma linha e de um veículo que tanto contribuiram para o desenvolvimento da região, e que hoje operam mais por formalidade e compromisso com seus clientes do que por necessidade.

Mas, para minha grata surpresa, pude ver a cada ponto do trajeto, que mesmo em meio a tantas mudanças no cenário da região, nosso guerreiro ainda se mantém firme e forte não só mecânicamente, mas também em sua missão do dia.



A cada ponto, diversas pessoas foram subindo no coletivo. O salão até pouco tempo vazio, ia sendo ocupado por trabalhadores, estudantes e moradores locais, como no auge da linha. Pode ter sido coincidência, sorte ou um bom sinal, mas na viagem em que o Busways esteve a bordo, embarcaram 16 passageiros.



Talvez demos sorte a ele, mas isso mostra que a linha ainda esta viva, e quem um dia ainda pode voltar a ter a mesma importância que teve no passado, afinal vem aí a UFABC - Universidade Federal do ABC que faz parte do trajeto da linha, e de certo quando estiver pronta trará de volta um pouco da demanda que ela perdeu nos últimos anos, e quem sabe a veremos mais uma vez contribuindo com o desenvolvimento da região.



Claro que o mesmo não podemos dizer de nosso saudoso Torino. Apesar de sua jovialidade, as regras do sistema logo lhe darão sua aposentadoria. Na verdade ele só está na ativa ainda por iniciativa da empresa TCPN que faz questão de preservar sua história, e faz isso dando espaço dentro de sua rotina, aos cuidados e operação do querido "70"! Além disso a licitação da área 5 ainda não foi definida, com isso as regras quanto a idade da frota ainda não são tão rígidas, o que permite a empresa mante-lo operando por enquanto.



Mas até a sua aposentadoria definitiva, temos certeza de que ele como nosso pequeno grande guerreiro realizará sua missão sem pestanejar, garantido o atendimento diário da linha, o que dará a ela a sobrevida necessária para aguardar as novidades vindouras que poderão mante-la viva e ativa na história do Grande ABC.

Por hora, fica a homenagem do Busways a este pequeno notável, que nestes caminhos hoje transformados pela frenética rotina dessa megalópole, deixou sua marca na história do Grande ABC e de seus transportes, e hoje ocupa lugar de honra na memória e no coração de muitos que aqui vivem ou viveram.

Imagens e Texto: Diego Vieira


Agradecimento Especial: Gerência e Chefia de Tráfego da TCPN


Site da Empresa: http://www.tcpn.com.br

20 de outubro de 2009

Cidade de Pindamonhangaba - SP

Por: Diego Vieira e Deise Carvalho

Depois de quase um ano sem novidades, eis que nosso blog retorna com novo nome, novo layout e um novo foco! O antigo ABC BUS onde iniciamos esse trabalho, agora passa a se chamar BUSWAYS, nome escolhido para representar a nova vertente deste espaço: mostrar as belezas e peculiaridades de nossas cidades, o prazer e as alegrias das viagens e claro, como bom busólogo, os ônibus que nos levam e nos trazem nestes caminhos.

Para iniciar essa nova fase com o pé direito, apresentamos uma novíssima postagem sobre a cidade de Pindamonhangaba, município paulista da região do Vale do Paraíba localizado a cerca de 130 Km da capital.


O Vale do Paraíba é uma importante região do estado de São Paulo, muito conhecida pôr seu parque industrial altamente desenvolvido e seu histórico de vanguarda na economia paulista, em especial no auge da cultura cafeeira. Possui hoje chega de 3,3 milhões de habitantes (segundo censo de 2006).

Cortado pelo Rodovia Presidente Dutra, tornou-se a principal ligação entre as duas maiores cidades do Brasil: São Paulo e Rio de Janeiro. No seu entorno surgiram diversas cidades, que ao longo dos anos foram ganhando notoriedade devido ao seu grande desenvolvimento econômico, principalmente após a década de 50, onde várias empresas se instalaram na região, atraídas por sua posição privilegiada e a grande quantidade de terras inexploradas até então.

Dentre estas cidades está Pindamonhangaba, destino de nossa viagem.


Banhada pelo rio Paraíba do Sul, um dos mais importantes rios brasileiros, Pindamonhangaba teve seu nome inspirado pela passagem do rio na cidade. Com origem no Tupi (língua nativa), pindá-monhang-aba ou lugar (aba) de fazer (monhang) anzol (pindá), considerados por muitos como “lugar onde o rio faz a curva”, faz referência a curva acentuada que o curso do rio faz na cidade dentro do chamado Bosque da Princesa, agradável parque repleto de verde, lagos artificias com carpas e fauna nativa, localizado bem próximo ao centro da cidade.




Pinda, como é carinhosamente chamada, mescla o clima típico de interior, com seu povo simples e trabalhador, com a agitação costumeira das grandes cidades, herdada provavelmente da proximidade de metrópoles como a Grande São Paulo e a “vizinha” São José dos Campos, onde é aparente o status da cidade como refúgio de diversas pessoas que trabalham nestas regiões durante a semana, e aos fins de semana e feriados seguem para a cidade para um merecido descanso.



A região central da cidade é bem desenvolvida, com forte e diversificado comércio, possuindo grandes lojas de redes varejistas, farmacêuticas e bancárias dividindo espaço com comerciantes locais, dos mais diversos segmentos, oferecendo assim tudo os que os moradores locais e os turistas casuais como nós precisam.



Pinda mantém boa parte de sua arquitetura original, proveniente principalmente do desenvolvimento trazido pelos trilhos da Estrada de Ferro Central do Brasil. Apesar disso, desenvolveu uma boa infra-estrutura, evidenciada por seus semáforos modernos com contador de tempo, parquímetros eletrônicos, muitos “marronzinhos” (agentes de trânsito inspirados nos da capital) e excessiva sinalização (em especial placas de conversão proibida, devido as ruas do centro que tem mão única de direção alternadas a cada quarteirão e as de Zona Azul), com um trânsito no pico que nos remete ao caos que deixamos para trás em São Paulo.


Mesmo com toda essa modernização, a cidade não perdeu os traços que lhe deram origem e alavancaram seu desenvolvimento. Tanto que não é preciso andar muito para que se encontre diversas construções antigas, que mantem suas formas originais, e dão um charme a mais para o lugar.





E por falar em trilhos, Pindamonhangaba ganha destaque neste assunto! Além de ser cortada pela famosa EFCB, da qual possui uma estação, utilizada por muitos anos como principal acesso da cidade e cujo entorno formou o que hoje é o centro da cidade, e hoje serve apenas para o transporte de cargas da MRS Logística...


... Pindamonhangaba também é a cidade que dá origem a outra conhecida estrada de ferro paulista, a hoje glamuorosa EFCJ – Estrada de Ferro Campos do Jordão, eixo ferroviário que liga a planície do Vale do Paraíba, partindo da estação que leva o nome da cidade, até a cidade de Campos do Jordão, localizada no alto da Serra da Mantiqueria ao norte da região, quase na divisa com Minas Gerais!



A EFCJ foi idealizada pelos médicos sanitaristas Emílio Marcondes Ribas e Victor Godinho com o objetivo de facilitar o acesso a Vila de Campos do Jordão, que por estar no alto da Serra da Mantiqueira e possui um clima de montanha, era indicada para as pessoas tratarem-se da tuberculose, onde fora criado o Sanatório de Campos do Jordão.

Foi inaugurada em 15 de Novembro de 1914, quatro anos após o início de sua construção e foi totalmente eletrificada em 1924 pela English Eletric, passando a operar somente com automotrizes elétricas (composições ferroviárias únicas, com tração própria).
É também nesta ferrovia que fica o ponto culminante do ferroviário no Brasil, sendo o ponto mais alto a que uma ferrovia chegou em nosso país, a 1743 m de altitude no Km 37, na região do Alto Lajeado.
Além disso, outra característica peculiar dessa ferrovia é o fato dela não se utilizar de nenhum sistema auxiliar de tração dos trens (como cremeleira ou funicular), mesmo com trechos de subidas com mais de 11% de rampa. Isso a torna única no mundo, afinal os trens sobem a serra com o simples contato com os trilhos.


Após anos realizando esta importante ligação e ajudando no escoamento da produção agrícola da região, a estrada de ferro passou a atuar com foco maior no turismo, sendo um importante ponto turístico da região, realizando passeios de lazer entre as duas cidades aos fins de semana e feriados, com vários atrativos durante o percurso de 47 Km. É bastante procurada na alta temporada de inverno, devido aos festivais de inverno em Campos do Jordão.


Um dos atrativos mais procurados por visitantes e também pelos próprios moradores da cidade, e que foi conferido pelo Busways, é um balneário que fica as margens da ferrovia. Aos fins-de-semana e feriados, há uma partida especial ás 10:00hs da Estação de Pindamonhangaba para o balneário, que leva os visitantes do parque, e custa R$ 5,00. O retorno de trem é feito as 17:00hs.



Além do passeio de trem, feito em uma das automotrizes preservadas desde a época do início das operações da ferrovia, o visitante pode conhecer o parque. Localizado no bairro de Piracuama, o “Reino das Águas Claras” foi criado pela EFCJ na década de 70 e fica as margens do rio que dá nome ao bairro, além de ser ladeado pela rodovia que liga Pinda a Campos do Jordão. O nome foi inspirado na obra de Monteiro Lobato, e o parque foi decorado com personagens do autor de Sítio do Pica-Pau Amarelo.






- Transportes:

Como nunca podemos deixar de mostrar, Pindamonhangaba também tem seu sistema de transporte por ônibus. Mesmo com todo seu desenvolvimento ferroviário, a cidade também foi afetada pela política automotiva do país, e os trens deixaram de ser o principal meio de transportes.


Hoje, como na maioria das cidades da região Leste do estado, Pinda é atendida pela Pássaro Marron nas ligações intermunicipais para cidades vizinhas como Taubaté, Tremembé e Caçapava através de serviço suburbano, além da ligação rodoviária com São Paulo. Além da famosa PM, outras empresas como a Gardênia e a Sampaio realizam ligações com cidades do Sul de Minas e Rio de Janeiro.






No serviço municipal, as linhas são operadas pela empresa Viva Pinda, além de diversas vans de transporte complementar. São 15 linhas regulares que atendem na maioria bairros no entorno do centro e bairros mais distantes. A empresa possui 38 ônibus e 4 micro ônibus, todos da marca Comil.


Comil Piá - VW 9-150 EOD


Comil Svelto - VW 17 210 EOD


Comil Svelto - MBB OF 1418


Comil Svelto - MBB OF 1418


Comil Svelto - MBB OF 1722


Além dos oficiais, encontramos também alguns perdidos por lá:





Isso é um pouquinho do que você pode encontrar em Pindamonhangaba, uma cidade muito interessante, com aquela deliciosa tranqüilidade típica do interior, mas sem perder a modernidade e o crescimento que conduz todo o Vale do Paraíba. Para quem quer um lugar para tirar breve período de descanso, é uma ótima dica. O mesmo pode-se dizer daqueles que querem deixar a loucura e o stress da cidade de São Paulo, sem perder a comodidade e a modernidade que o desenvolvimento proporciona.

Esperamos que gostem dessa postagem de reinauguração!

Um grande abraço a todos!

Fotos: Diego Vieira e Deise Carvalho
Texto: Diego Vieira

Fontes:

Site Pinda Vale: http://www.pindavale.com.br/cidadesdaregiao/?cidade=1
Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Pindamonhangaba

Sites das Empresas:

Viva Pinda: http://www.vivapinda.com.br
Pássaro Marron: http://www.passaromarron.com.br
EFCJ: http://www.pindavale.com.br/efcj/